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Economista pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Possui cursos de extensão pela Fundação Getúlio Vargas em Fundamentos de Estatística Descritiva e Probabilidade, Gestão de Preços, Consultoria em Investimentos Financeiros, Balanced Scorecard, Finanças Empresariais, Introdução ao Mercado de Ações a Vista, Administração Financeira / Decisões sobre Investimentos e Financiamentos, Direito Bancário, Gestão de Crédito e Risco, Direito do Seguro e Resseguro, Gestão Estratégica em Negócios Bancários, Teoria Econômica do Setor Público, Contabilidade Financeira, Projetos de Investimento Social e Série Estratégica em Finanças. Possui Certificação pela Associação Nacional dos Bancos de Investimentos CPA 10 e CPA 20. É Agente Autônomo de Investimentos credenciado pela Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM), certificado pela Associação Nacional das Corretoras e distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord). E-MAIL: daguiarsilva@uol.com.br

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Tesouro Direto: como investir, rentabilidade, vantagens e características

Por Conrado Navarro

Marta comenta: “Navarro, recentemente li uma reportagem sobre o investimento em títulos públicos e fiquei curiosa sobre a realidade deste investimento, se ele é interessante e como faço para começar a investir. O Tesouro Direto é um investimento voltado para que perfil de investidor? Qualquer um pode investir em títulos? Qual o valor inicial do investimento? Como funcionam as rentabilidades? Obrigada pelo apoio”.


Foi realizada ontem, dia 19/01/2011, a primeira reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) sob o comando de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central e integrante do governo da presidenta Dilma Rousseff. Na ocasião, decidiu-se por elevar a Taxa Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) em 0,5%, passando de 10,75% para 11,25%, maior patamar desde março de 2009.

A Taxa Selic é utilizada como um índice balizador para operações financeiras entre bancos e entre governo e investidores[bb]. Assim, seu aumento faz subir também a rentabilidade geral de produtos de renda fixa, entre eles os títulos públicos federais que compõem o chamado Tesouro Direto. O texto de hoje pretende explicar melhor o que são títulos públicos federais, suas alternativas de investimento, detalhes de operação (compra e venda) e expectativas para o ano de 2011.

O que são títulos públicos federais?

Títulos públicos são ativos de renda fixa cujo objetivo é viabilizar a captação de recursos para: a) financiar o déficit orçamentário; b) refinanciar a dívida pública; e c) realizar operações para fins específicos, definidos em lei. A emissão dos títulos envolve duas autoridades econômicas brasileiras:

  • Tesouro Nacional, responsável pela gestão da dívida pública federal (interna ou externa), que emite os títulos em caráter de Política Fiscal. Você pode entender melhor o tema clicando aqui;
  • Banco Central (BC), responsável por operar os títulos públicos federais, que faz a compra e/ou venda dos títulos no mercado secundário como parte da Política Monetária. Você pode entender melhor o tema clicando aqui.
Como são feitas as emissões?

Os títulos são emitidos através de três formas:

  • Emissões diretas para finalidades específicas definidas em lei, normalmente usadas com objetivos de securitização de dívidas, renegociação de dívidas com Estados e Municípios e nos chamados Programas Especiais (FIES, por exemplo);
  • Ofertas públicas voltadas para instituições financeiras (leilões), onde os participantes propõem até cinco ofertas para cada um dos títulos oferecidos. Neste caso, não é o Tesouro Nacional que determina o preço do título, como no Tesouro Direto;
  • Ofertas públicas para pessoas físicas (Tesouro Direto), em sistema de venda direta com o apoio da CBLC (Casa Brasileira de Liquidação e Custódia).
Qual o montante mínimo em Reais necessário para investir no Tesouro Direto?

Não existe um valor financeiro mínimo, mas sim uma quantidade mínima de títulos: 0,2 título. Ou seja, você pode comprar a fração de um título. Em termos financeiros, essa fração corresponde a cerca de R$ 180,00. Saiba que também existe um valor máximo: R$ 400 mil por mês. Experimente acessar o simulador de operações com títulos públicos disponibilizado pelo Tesouro.


Qual o risco envolvido no investimento em títulos públicos?
A compra de um título público significa, usando palavras simples, emprestar dinheiro para o governo. A chance do país quebrar ou decretar um calote é remota, o que faz do Tesouro Direto um dos insvestimentos[bb] conservadores de menor risco existentes hoje em dia. Mas é importante conhecer bem os riscos em suas outras formas:

  • Risco de crédito: possibilidade de o governo dar um calote na dívida interna, ou seja, nos títulos públicos comprados através do Tesouro Direto. Tal possibilidade existe, mas é difícil de ocorrer no cenário econômico atual, conquistado depois de muito esforço;
  • Risco de liquidez: risco de tentar vender o título antes do vencimento e não haver compradores. Na prática, esse risco não existe, pois o governo recompra semanalmente os títulos a preço de mercado. Ele não tem obrigação de recomprá-los, mas o faz;
  • Risco operacional: possibilidades de fraudes nos sistemas de negociação dos Agentes de Custódia e/ou CBLC. Ainda que exista essa possibilidade, todas as transações são registradas (depósito, compra, venda) mediante exigência federal, o que praticamente anula essa chance;
  • Risco de mercado: Está relacionado à possibilidade de o investidor ter um retorno baixo ou mesmo perder parte do capital investido por conta das variações de preços dos títulos até sua data de vencimento. É o risco que mais chama atenção do investidor, mas não difere muito das aplicações conservadoras existentes no mercado.
Quais os títulos públicos disponíveis e suas características?

São quatro as modalidades de título disponíveis e seus tipos variam de acordo com o perfil do investidor e tempo de investimento (curto e médio prazo). Para aplicações de curto prazo, estão disponíveis as Letras do Tesouro, nas opções LFT (Letra Fiananceira do Tesouro) e LTN (Letra do Tesouro Nacional). Para o médio prazo estão disponíveis a NTN-B (Nota do Tesouro Nacional série B) e NTN-F (Nota do Tesouro Nacional série F).

O site do Tesouro Direto mantém uma tabela atualizada com as rentabilidades de cada um dos títulos. As características são:
  • Letra Financeira do Tesouro (LFT): É um título com rentabilidade diária vinculada à taxa de juros básica da economia (Taxa Selic). O resgate do principal e dos juros ocorre no vencimento do título. Indicada para investidores de perfil mais conservador, requer atenção à flutuação da Taxa Selic;
  • Letra do Tesouro Nacional (LTN): É um título com rentabilidade definida no momento da compra, com o resgate do valor do título na data do vencimento do mesmo. Cada título é adquirido com deságio e possui o valor de resgate de R$ 1.000,00, no vencimento. Indicada para investidores de perfil menos conservador que acredita que a taxa prefixada será maior que a Taxa Selic praticada nos meses e anos seguintes. Atenção ao rendimento, que é nominal, isto é, o investidor pode ter rentabilidade líquida bastante baixa (até negativa) se a inflação subir demais;
  • Nota do Tesouro Nacional - série B (NTN-B): É um título com a rentabilidade vinculada à variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), acrescida de juros definidos no momento da compra. O pagamento dos juros é semestral e o resgate do valor nominal atualizado ocorre na data de vencimento do título. Indicada para investidores de perfil conservador, já que garante rentabilidade real e possibilidade de fluxo de rendimentos periódicos (cupons semestrais). Título bastante recomendado para aposentadoria e objetivos de médio prazo;
  • Nota do Tesouro Nacional - série F (NTN-F): É um título com a rentabilidade definida, acrescida de juros definidos no momento da compra. O pagamento dos juros é semestral e o resgate do principal ocorre na data de vencimento do título. Indicada para investidores de perfil menos conservador, pois traz rentabilidade nominal (podendo ser baixa ou negativa em caso de alta da inflação). Não tem sido emitida recentemente.
Quais são os custos/taxas envolvidos no investimento em títulos públicos?

A CBLC cobra taxa de custódia de 0,4% ao ano sobre o valor de compra, referente aos serviços de guarda dos títulos, saldos e movimentação dos investidores. Além disso, há uma taxa cobrada pelo Agente de Custódia (o banco ou corretora que você escolheu para o cadastro) que varia de 0% a 4,5% ao ano. A média é de 0,3% ao ano.


Logo, aplicando diretamente nos títulos públicos federais você terá um custo médio de 0,7% ao ano, percentual muito menor que a taxa de administração comumente cobrada em fundos de renda fixa conservadores (cuja carteira é composta majoritariamente de títulos públicos). O site do Tesouro Direto mantém uma seção atualizada com o ranking dos Agentes de Custódia, onde você pode conhecer a taxa cobrada por cada um deles.

Como investir em títulos públicos federais através do Tesouro Direto?

As dúvidas sobre como começar a negociar títulos públicos são recorrentes e vou tentar abordar o básico das operações através de explicações objetivas, porém completas. Cabe ressaltar que a página do Tesouro Direto – www.tesourodireto.gov.br – apresenta excelentes explicações ilustradas sobre como começar a negociar, além de um tutorial usando animações que é autoexplicativo.


O primeiro passo deve ser a realização de seu cadastro de investidor junto ao chamado Agente de Custódia, que pode ser o banco em que você tem conta ou uma corretora de valores. Note que este cadastro é diferente do simples cadastro de correntista para o caso dos bancos de varejo, ou seja, você precisará entrar em contato com seu gerente de relacionamento e pedir o cadastro como investidor para negociar títulos públicos. Se não sabe se o seu banco ou corretora é um Agente de Custódia registrado, acesse a lista completa com os nomes de todos eles.

Depois de realizado o cadastro, você receberá uma senha por e-mail. Esta senha será associada ao seu CPF. Com as informações de cadastro, você deve acessar a página de login do sistema de compra e venda de títulos – https://seguro.cblc.com.br/tesourodireto/ - e entrar no sistema com seu CPF e senha. Há casos de sistemas integrados do Agente de Custódia (normalmente corretoras) em que você realiza a compra e venda diretamente no sistema da instituição;

A operação a partir do sistema é bastante simples, bastando você digitar o código do Agente de Custódia e então escolher, dentre os títulos disponíveis, aquele no qual você quer investir. A partir de então você verá a tela de apuração do valor para compra do título escolhido. Ali constam o preço do título e alguns campos para facilitar sua operação. Se você quer investir R$ 500,00, basta digitar este valor no campo “Valor Total” e apertar o botão “Calcular Quantidade”. Se preferir comprar digitando a quantidade de títulos, use a opção “Calcular Total”.

Atenção para o dinheiro disponível para a compra dos títulos. Depois de selecionada e concluída a operação de compra é impossível cancelar a operação e voltar atrás. O débito do valor correspondente à compra é realizado no dia útil seguinte à operação (D+1) na conta que você informou no cadastro junto ao Agente de Custódia. Tenha em mente que se não possuir os recursos mediante essa regra, seu cadastro será suspenso por trinta dias. Em caso de reincidência, a punição passa a ser seis meses de suspensão.Uma segunda reincidência causará três anos de suspensão.

O processo de venda ocorre de forma semelhante ao da compra. Você escolhe o Agente de Custódia, escolhe o título que deseja vender e define o montante da venda (se todos os títulos ou parte). A venda antecipada dos títulos no site do Tesouro Direto é processada entre 9h da quarta-feira (Dia 0) e 17h da quinta-feira (Dia 1), semanalmente.

Você pode consultar o passo a passo das operações de compra e venda disponível no site do Tesouro Direto e acompanhar as telas do sistema de negociação, além de exemplos práticos de títulos e negociações de acordo com o perfil do investidor. Além disso, consulte também o seu banco e/ou corretora de uso frequente para entender melhor que tipo de informações você precisa passar para iniciar seus investimentos em títulos públicos.

E a tributação ? Imposto de Renda?

A regra é a mesma usada nos fundos de renda fixa. A lei 11.033, de 21 de dezembro de 2004, diz que as alíquotas são de:
  • I - 22,5% (vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento), em aplicações com prazo de até 180 (cento e oitenta) dias;
  • II - 20% (vinte por cento), em aplicações com prazo de 181 (cento e oitenta e um) dias até 360 (trezentos e sessenta) dias;
  • III - 17,5% (dezessete inteiros e cinco décimos por cento), em aplicações com prazo de 361 (trezentos e sessenta e um) dias até 720 (setecentos e vinte) dias;
  • IV - 15% (quinze por cento), em aplicações com prazo acima de 720 (setecentos e vinte) dias.
Espero que o texto tenha sido claro o suficiente sobre o potencial, vantagens e características do investimento em títulos públicos através do Tesouro Direto. Trata-se de uma forma segura, conservadora, inteligente e muito rentável de proteger seu capital e investir seu dinheiro.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Saia do vermelho!

Por Rafael Souza


Se você é do tipo que vive endividado, que não vai ao casamento e aniversários dos amigos para não ter que comprar presentes, que nunca sobra dinheiro para nada, e pensar em novas prestações então nem pensar - lamento em informar, você tem problemas! E o que fazer para sair de vez dessa situação? - primeiro passo:organize-se!

Confira a seguir as dicas do Débito e Crédito para que você possa finalmente "sair do vermelho" e partir para o lado azul: 

1. Inicie relacionando todas as suas dívidas;

Não pule esse item, e nem pense em relacionar de cabeça, tenha em mãos papel e caneta/lápis.

2. Classifique suas dívidas em vencidas e a vencer, e claro, não faça mais dívidas;

3. Quanto às dívidas vencidas, identifique as que incidem os maiores juros e renegocie;

Ex.: Cartões de Crédito, boletos com instrução de protesto, cheque especial, etc.

4. Quanto a dividas a vencer, ordene-as por data de vencimento;

Procure quitá-las no vencimento, pois ao contrário elas se tornarão vencidas e você acabará pagando juros.

5. Faça sacrifícios, policie seu consumo;

Outro item importantíssimo, se realmente quer "sair do vermelho" faça sacrifícios, se perceber a necessidade de cortar alguma despesa em seu orçamento doméstico, corte sem piedade, e diminua gradualmente as demais despesas. Estamos falando de uma batalha psicológica, e a vitória depende unicamente de você.

6. Elabore um plano de ação para quitação de suas dívidas;

Não despreze a necessidade de fazer horas-extras no trabalho, de buscar uma renda extra em suas horas vagas, lembre-se que serão apenas por um curto período de tempo, tempo este suficiente para quitação de suas dívidas.

7. Seja fiel ao seu plano de ação;

Consulte constantemente seu plano de ação, sinalize as ações já finalizadas e se prepare para as que restam ser finalizadas. Concluídas todas as ações do plano, e todas as dívidas quitadas, não o abandone e não relaxe no consumo continue policiando-se, ao contrário você volta pro vermelho.

Lembre-se sempre que "sair do vermelho" é possível, e com um mínimo de organização e planejamento, permanecer no "azul" é ainda mais difícil, agora, voltar para o "vermelho" ou permanecer nele é muito fácil, basta continuar fazendo o que sempre fez: gastar, gastar e gastar.

Se desejar resultados diferentes, haja diferente. Ao contrário terá os resultados que sempre teve!

sábado, 15 de janeiro de 2011

O cidadão brasileiro e o desinteresse pela política

O cidadão brasileiro e o desinteresse pela políticaPlataforma Brasil
Sempre observei um persistente desinteresse de empresários e dirigentes empresariais sobre os assuntos políticos. Refiro-me à política tradicional. Aquela mesma, a de Brasília, dos estados e municípios. Os argumentos para o distanciamento são sempre os mesmos e, em sua maioria, remetem à insistente corrupção, ao rocambolesco repertório, à eterna “lenga lenga” sem resultados concretos e por ai vai.
Sem dúvida alguma, são argumentos críticos mais do que legítimos. Existe, sim, engajamento nas questões socioambientais, ora por genuíno interesse e preocupação, ora por conta dos posicionamentos de marca e cuidados com a imagem. Existem também as legítimas contribuições para campanhas políticas.
Mas confesso que nesse aspecto nado contra a corrente e defendo o envolvimento político como caminho de sobrevivência e alguma preservação.
Preservação das mínimas condições para uma sociedade livre; preservação e resgate de valores caros que não desejamos que sejam esquecidos (considerando que muitos deles já foram liquidados); preservação (e talvez conquista) do mínimo de espaço e voz ativa nos destinos desse país enorme que mantemos com o nosso trabalho, sacrifício e disposição ao risco.
A ciência política e a história (que sempre se repete) ensinam que a omissão pavimenta o caminho do absurdo, da barbárie e dos descaminhos. Ensinam ainda que o conforto fútil e a falsa sensação de inabalável prosperidade podem anestesiar e inibir os necessários enfrentamentos e conflitos tão ricos ao amadurecimento.
Acomodados, anestesiados e infantilizados pela falta de conflitos, nos tornamos uma massa fácil de ser conduzida e controlada.
Não defendo ânimos acirrados, nem a desconfiança (Juscelino Kubitschek dizia que "uma sociedade desconfiada é facilmente manejada"), mas anseio por maior participação, vigilância, senso crítico e combate à omissão.
Se com tudo isso você ainda não se convenceu da importância de participarmos da vida política do nosso próprio país, sugiro que leia a lista que publico abaixo com alguns bons motivos para tal:
  • A arrasadora e crescente carga tributária, acompanhada de total falta de contrapartida em benefícios públicos;
  • A antiquada legislação trabalhista;
  • O ambiente jurídico de absoluta insegurança;
  • A falta de incentivos para pesquisa e desenvolvimento;
  • A brutal desqualificação da mão-de-obra, resultando nos robustos (mas muitas vezes insuficientes) investimentos empresariais em capacitação e treinamento;
  • O crescente predomínio de alguns grupos e sociedades de classe (com ativa participação política) que preconceituosamente observam os empresários como inimigos a serem suportados e eventualmente combatidos;
  • A forte e resistente burocracia cartorial;
  • A instabilidade das regras institucionais;
  • Os investimentos em infraestrutura muito mais presentes em peças de marketing do que na vida real;
  • As reformar estruturais (Política, Previdenciária e Tributária) que aguardamos desde o início dos anos 90;
  • O alardeado (mas inexistente) combate à crescente corrupção;
  • O combate efetivo à criminalidade pouco observado no cotidiano comum, mas muito presente nos roteiros cinematográficos e em ações com forte objetivo midiático.
Esses são apenas alguns bons pretextos para um maior engajamento dos cidadãos. Há muito a ser feito e boa parte das mudanças depende também de nós. Ao tomar a sua decisão, pense na frase de Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Até a próxima.

Empréstimo em família? Melhor não comprometer as relações!

Por  Bernadette VilhenaEmpréstimo em família? Melhor não comprometer as relações!
De repente, seu filho ganha uma bolsa de estudos no exterior. Todos se animam com a grande oportunidade para a carreira e com a possibilidade do evento aumentar o grau de empregabilidade do jovem profissional. Mas... e as despesas com passagens, hospedagem, alimentação e outros custos embutidos nesse pacote? A família se reúne e as opções parecem ser um empréstimo bancário ou a venda do carro. Acabam decidindo pedir emprestado a quantia necessária para “aquele parente rico”!

O caso citado aconteceu com um amigo e me levou a pensar sobre essa delicada relação empréstimo x família. Já ouviu ou presenciou histórias deste tipo? Provavelmente sim. Emprestar do parente: será mesmo a melhor opção? Será que o relacionamento familiar fica comprometido com esse tipo de negócio? Será que vale a pena enfrentar a possibilidade de afastamento diante de quem tanto gostamos?
As histórias que conheço não são muito animadoras e acabaram arranhando as relações familiares. Essa questão, aparentemente simples, traz consigo alguns elementos intrínsecos em seu centro: o ciúme, a crítica, o arrependimento, as comparações e muita insegurança. É preciso estar atento a eles e agir com cautela.
A grande questão é que quando pensamos em pegar dinheiro emprestado de um parente ou um amigo acabamos não deixando claras algumas questões. Os acordos são, na grande maioria das vezes, verbais.
  • Aparências enganam. Será que a pessoa tem o capital disponível para me emprestar?
  • Forma de pagamento e juros. Quanto poderei pagar por mês, quando começarei a pagar e qual a taxa de juros?
  • As reações. Caso a resposta for negativa, ficarei magoado, acharei injusto ou normal? Estou disposto a seguir com o mesmo tratamento diante da pessoa ou associarei sua resposta às minhas expectativas quanto ao nosso relacionamento?
  • Necessidade real. Preciso mesmo fazer esse empréstimo ou posso adiar meus planos e juntar a o capital necessário? Não existem outras opções, ainda que um pouco mais caras/complicadas, mas que poupem o desgaste emocional e a deterioração das relações?
Nesses momentos é preciso ter maturidade e tranquilidade. Vale aquele ditado “amigos, amigos, negócios a parte”. Parece frio? Pois acredito que esse pensamento pode deixar a negociação mais realista, objetiva e onde ela merece estar: no plano das contas, da realidade do seu padrão de vida. Afinal, sempre aparece aquele pensamento “Trocou a cortina da sala, mas ainda não me pagou...” ou algo do tipo.
Esse comportamento costuma estar presente, mesmo que inconscientemente, na mente dos credores. O pensamento passa a ter relação com o lado pessoal. Algo como “Não saldou a dívida e fica usando o dinheiro com outras coisas. Se o dinheiro fosse do banco, o nome já estaria protestado, coisa e tal”. Pois é. Vale voltar às questões presentes alguns parágrafos acima.
O fato é que toda dependência financeira gera falta de liberdade e, muitas vezes, efeitos colaterais nocivos nos aspectos social e emocional. Quando falamos de relações familiares, esse vínculo fica ainda mais forte.
Se o empréstimo familiar for mesmo a opção desejada, o conselho dos especialistas é fazer a negociação com transparência em relação às datas, juros e formas de pagamento para evitar qualquer prejuízo, emocional ou financeiro, para todos os envolvidos. Tenha tudo por escrito, documentado e assinado. Estabeleça um compromisso! Afinal, qualquer quantia de dinheiro fica pequena perto da riqueza das relações afetivas; e isso não tem preço.

Compra do material escolar e educação financeira

 Por Bernadette Vilhena
Compra do material escolar e educação financeira


Material escolar. Caderno, estojo, lápis, caneta, papel, mochila e por ai vai. Você que tem filhos(as) já deve estar com isso na cabeça. Pois é, eu também estou. Mas a verdade é que o momento da compra do material escolar pode deixar de ser uma “dor de cabeça” e transformar-se em uma oportunidade para trabalhar a educação financeira com as crianças. Mas isso requer vontade e dedicação dos pais.
É comum encontrarmos dois perfis de pais nessa época:
  • Alguns deixam os filhos em casa e vão às compras. Com isso, diminuem o custo da lista já que as opções são pelos materiais com melhor preço;
  • Outros levam os filhos às compras e acabam cedendo aos apelos de consumo e aumentando significativos Reais nas despesas.
O melhor caminho é o equilíbrio, o meio termo. Talvez você tenha mais trabalho, demore mais tempo nas lojas, mas estará promovendo o desenvolvimento de importantes habilidades em seus filhos, entre elas o saber priorizar e o hábito de estabelecer comparações de preços e condições comerciais.
Com o reajuste acima da inflação, esse ano os materiais escolares estão 8% mais caros. Sinal de que, mais do que nunca, é fundamental a pesquisa de preço. Antes de sair de casa convide seus filhos para juntos conferirem a lista dos itens pedidos pela escola e discutam se existe algum material do ano anterior que pode ser aproveitado. Nesse momento estamos falando e ensinando sobre reciclagem e sobre como evitar desperdícios.
Por exemplo, o caderno de inglês que está quase novo e com poucas páginas usadas poderá ser aproveitado. Faça o mesmo com a mochila, com a bolsa para lanche e com aquela caixa de lápis de cor que foi comprada em novembro e está praticamente nova.
Você também precisa conversar com a criança e combinar as regras da compra. Assim estará ensinando sobre o consumo responsável, consciente. Veja o caso dos cadernos que chegam a ter uma variação de preço de mais de 50% por conta da capa ou marca. As crianças ficam encantadas com as inúmeras ilustrações, é verdade, mas negocie e seja flexível dentro dos limites do bom senso. Por exemplo, dentre os seis cadernos pedidos, um pode ser com a capa ilustrada desejada.
Outra dica legal sobre cadernos é fazer a customização. Compre um caderno com a capa sem ilustração e sugira que seu filho a personalize. Com criatividade e usando materiais disponíveis em casa (como adesivos, ilustrações e tecidos) o trabalho ficará muito bom. Isso sem falar da diversão ao fazer essa atividade - as crianças adoram esse tipo de coisa.
Durante a compra do material, lembre-se do que foi combinado para poder nortear a criança. Nós, adultos, temos mais ferramentas para resistirmos ao assédio do marketing! Assim, dê a lista na mão da criança e estimule que ela procure os itens. Fale sobre a diferença de preço entre as marcas, da importância dos descontos e escolha o melhor em custo/benefício.
Você acha que seu filho é muito pequeno para entender diferenças de preço? Não tem problema, mesmo assim procure envolvê-lo nas compras, pois as crianças menores, apesar de terem uma noção ainda distorcida dos valores, também estarão absorvendo conhecimentos!
Lembre-se que educação financeira tem relação com nosso comportamento diante do dinheiro. Logo, o modo como você lida com uma simples lista de material reflete seu pensamento e suas atitudes em relação às finanças da família. Os filhos estão atentos a todos os detalhes, mesmo que você acredite o contrário.


DISPONÍVEL EM: http://dinheirama.com/blog/2011/01/14/compra-do-material-escolar-e-educacao-financeira/

domingo, 9 de janeiro de 2011

Qual o título público mais conservador do mercado?

Por Rafael Seabra


Atualmente temos cinco opções de títulos da dívida pública disponíveis para compra. São eles: Notas do Tesouro Nacional – série B (NTN-B e NTN-B Principal),Letras do Tesouro Nacional (LTN), Notas do Tesouro Nacional – série F (NTN-F) e Letras Financeiras do Tesouro(LFT). Sabemos que investimento em títulos públicos é de baixo risco, mas, afinal, qual deles é o mais conservador?
O propósito deste artigo é discutir cada um dos títulos existentes do ponto de vista do risco e objetivos de cada um, mostrar as vantagens e desvantagens em ser prefixado ou pós-fixado e indicar qual o título mais conservador.

Qual título escolher?

A simples decisão de adquirir títulos públicos através do Tesouro Direto já é louvável. A maioria dos fundos de renda fixa investem a maior parte do patrimônio em títulos públicos. E cobram bastante por isso através da taxa de administração, principalmente para pequenos valores.

Títulos prefixados (LTN e NTN-F)

Tomada a decisão de investir nesses títulos, faz-se necessário decidir em qual título investir. Quem já investe ou está pensando em investir sabe que inicialmente a primeira opção que pensamos de cara é a LTN. Afinal, ela é a única que apresenta claramente qual será a rentabilidade e possui vencimento mais curto (as NTN-F possuem prazos bem mais longos).
É reconfortante saber que a rentabilidade não dependerá daquela sopa de letrinhas (Selic, IPCA) e que em pouco tempo o dinheiro estará novamente na conta. Isso é muito importante quando estamos fazendo experiências.

Títulos pós-fixados (NTN-B, NTN-B Principal e LFT)

Existem, entretanto, outros objetivos além de, no momento da compra, saber exatamente arentabilidade nominal (total) que você receberá até a data de vencimento do título.
Se, para você, o mais importante for ter um título que garanta uma rentabilidade real do vencimento, ou seja, acima da variação da inflação, certamente a melhor opção será a NTN-B ou NTN-B Principal.
No entanto, se o foco for um título que possua rentabilidade próxima à taxa básica de juros deeconomia (taxa SELIC), não há dúvidas que a escolha mais adequada seria a LFT. Essa é a única opção que não oferece pagamento de cupons semestrais.

Qual então seria o mais conservador?

Na minha opinião, o título público mais conservador é aquele que garante uma boa rentabilidade, independente do que acontecer com a economia. Como existem títulos de prazos bem longos (a maioria, por sinal), há a possibilidade de atravessarmos novas crises ou momentos de grande crescimento.
Em ambos os casos, a taxa de inflação e a taxa básica de juros da economia costumam variar bastante. E esses fatores podem prejudicar ou alavancar o retorno de cada um dos títulos.
Se a inflação subir acima do esperado, a rentabilidade real da LTN e NTN-F seria bastante prejudicada, já que a taxa nominal foi prefixada desde o início. Caso contrário, o retorno dos títulos prefixados seriaexcelente.
Já no caso de atravessarmos uma nova crise, o Banco Central certamente diminuiria a Selic para incentivar, entre outras coisas, o consumo (como fizera em 2008 e 2009). Essa redução afetaria diretamente a rentabilidade da LFT. No caso de momentos de forte crescimento, como o que estamos agora, o BC tende a aumentar a Selic para frear a inflação, beneficiando os investidores dos títulos indexados à Selic.
Em compensação, qualquer que seja o cenário (crise, crescimento, estagnação…), a rentabilidade real dos títulos indexados à inflação (NTN-B e NTN-B Principal) seria sempre mantida. Oferecer taxa de juros acima do IPCA é garantir rentabilidade real no vencimento do título.
Por esse motivo, os títulos públicos indexados à inflação (NTN-B e NTN-B Principal) são os mais conservadores do mercado. Tanto é verdade que os únicos títulos ofertados por mais de 10 anos (longuíssimo prazo) são os indexados ao IPCA. Há títulos, por exemplo, que vencem em 2045. A LFT vai até, no máximo, 2017, e os prefixados vão até 01/01/2021.

Conclusão

Na hora de escolher a melhor opção para você, é importante levar em consideração os objetivos acima mencionados e se há a necessidade do pagamento de juros periódicos ou não, pois você pode precisar do dinheiro eventualmente ou para reaplicar esse fluxo de juros pagos em outros títulos ou em outros investimentos.
Por conta dessas decisões, não é possível definir qual o melhor título público, pois cada um tem suas peculiaridades. Até há um meio de avaliar qual será o título mais rentável, mas isso já foi discutido no artigo “Qual o melhor título público para investir?“.
Por fim, é importante ressaltar que ser o mais conservador não significa, de maneira alguma, que é a melhor opção. Para prazos mais curtos e com uma conjuntura econômica estável, é possível (e até recomendável!) escolher esses títulos baseando-se nas estimativas dos indexadores (IPCA e Selic), compará-los com os prefixados e optar pela melhor opção.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"Não tem dinheiro? Fazemos em até 15 vezes"

Por Danilo Reis

Quem nunca entrou em uma loja namorando aquele televisor novo que "você só estava olhando" e foi abordado por um cordial vendedor? Este mesmo vendedor fala as palavras mágicas: "Gostou? Aproveita que esta em promoção!". 

Seu coração palpita e mesmo com uma certa desconfiança você pergunta: "Sério! E quanto é?". Com ar de novidade, o vendedor habilidoso te responde: "Só R$59,90 por mês".

A história acima parece bem comum e, com certeza, todos nós já fomos tentados a nos render a nossos desejos consumistas. Porém, se quisermos manter nossa tão sonhada saúde financeira, devemos desligar o impulso e ligar nossas calculadoras.

A aparente pechinha, que não vai pesar nada por mês, pode se tornar uma verdadeira devoradora de salários. Para evitar isso, o primeiro passo é considerar o comprometimento atual da sua renda. Calma, isso é muito mais simples do que parece. 

Basta dividir a soma de todas as despesas pagas por você em um determinado mês pelo seu salário e multiplicar esse valor por cem. Quanto menor esse valor melhor.

Por exemplo: ao fazer a conta acima, você constatou que atualmente 40% da sua renda já esta comprometida. Agora faça essa mesma conta, somando a suas despesas o valor da parcela da TV. Caso esse valor fique maior que 60%, é bom pensar duas vezes antes mesmo de prosseguir. Muitas vezes é melhor guardar o dinheiro e fazer a compra no futuro sem adquirir uma nova dívida.

Pronto! Mesmo pagando essa parcela você ficaria com, digamos, 50% de sua renda comprometida (lembrando que quanto menor esse número, mais fácil ficará sua vida no futuro). Falando em futuro, agora é hora de pensar em tempo de comprometimento. Para isso, você deve consultar o tempo que falta dos parcelamentos que você está pagando nesse momento e usar o maior valor.

Digamos que ainda faltem 5 parcelas do seu DVD e 12 parcelas de seu sistema de som. Neste caso, você possui dívidas por pelo menos mais 12 meses e daqui a 5 meses seu endividamento mudará. Para saber de quanto é a mudança, basta repetir a conta acima retirando o valor da parcela do DVD.

Não é aconselhável fazer dívidas por um longo prazo, devido aos juros dos financiamentos, e nem comprometendo grande parte de sua renda (veremos novamente esse assunto mais adiante, inclusive você verá que há casos em que isto se torna vantajoso). Abaixo são mostrados alguns bons motivos para evitar isso:

* 1. Caso aconteça alguma despesa não prevista você não terá reservas;
* 2. Os valores pagos em juros de financiamentos longos fazem com que o valor real pago pelo produto aumente significativamente;
* 3. Itens de tecnologia tem uma vida útil muito curta. Hoje as pessoas ficam em média 1 ano e meio com um mesmo celular, não faz sentido pagar em 3 anos.

Em posse das informações sobre o quanto sua renda está comprometida e por quanto tempo, deve ser tomada a decisão. Realmente é um bom negócio a compra desse produto? Não adianta pegar uma bela promoção com desconto de 50% se você não poderá pagá-la mesmo assim.

O número ideal desses fatores varia de pessoa para pessoa, mas lembre-se de quesempre que se entra em um novo financiamento você sacrifica um pouco de sua renda futura. O melhor é encontrar o equilíbrio e sempre ter formas de proteção com seguros, previdência, investimentos etc.

Ter dívidas é algo comum e faz com que nossa economia se mantenha saudável, já que "infelizmente" nem sempre é possível comprar tudo aquilo que queremos à vista. Um exemplo é o mercado consumidor americano, onde poucas pessoas possuem carros ou casas 100% pagas. Lógico que abusos como os que levaram à crise atual devem ser evitados, mas, desde que usados com sabedoria, os financiamentos podem ser ótimos aliados.

A escolha sobre qual caminho seguir é somente sua, porém podemos ajudar mostrando as armadilhas e os benefícios de cada caminho.