Quem sou eu

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Economista pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Possui cursos de extensão pela Fundação Getúlio Vargas em Fundamentos de Estatística Descritiva e Probabilidade, Gestão de Preços, Consultoria em Investimentos Financeiros, Balanced Scorecard, Finanças Empresariais, Introdução ao Mercado de Ações a Vista, Administração Financeira / Decisões sobre Investimentos e Financiamentos, Direito Bancário, Gestão de Crédito e Risco, Direito do Seguro e Resseguro, Gestão Estratégica em Negócios Bancários, Teoria Econômica do Setor Público, Contabilidade Financeira, Projetos de Investimento Social e Série Estratégica em Finanças. Possui Certificação pela Associação Nacional dos Bancos de Investimentos CPA 10 e CPA 20. É Agente Autônomo de Investimentos credenciado pela Comissão de Valores Mobiliários do Brasil (CVM), certificado pela Associação Nacional das Corretoras e distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord). E-MAIL: daguiarsilva@uol.com.br

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Como aplicar no Tesouro Direto

Por Daniel Aguiar


Uma das mais aplicações de baixo risco mais interessantes do Brasil é, sem dúvidas, o Tesouro Direto. O Tesouro Direto é um programa de distribuição de títulos públicos da dívida federal para as pessoas físicas que foi desenvolvido pelo Tesouro Nacional juntamente com a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).

Os títulos públicos são ativos de renda fixa que hoje no Brasil possuem a maior segurança, pois são totalmente garantidos pelo Tesouro Nacional. Além de obter liquidez, rentabilidade e segurança, o investidor, ao optar por adquirir títulos públicos, contribui para um país melhor, pois a principal função desses títulos é financiar a dívida pública, garantindo que o Governo Federal continue exercendo suas funções típicas (Saúde, Educação, Segurança Pública, Infraestrutura, etc.).

Aplicar em títulos públicos pelo Tesouro Direto é bem mais simples do que parece. É uma opção de aplicação que hoje está tão acessível à população quanto à tradicional poupança.

O primeiro passo para aplicar pelo Tesouro Direto é abrir uma conta em um banco ou corretora de valores que ofereça a aplicação. Se você já possui conta corrente em algum banco, basta falar com seu gerente e solicitar a ele que registre o seu cadastro junto ao Tesouro Direto. Antes de decidir em qual banco abrir a conta, é importante analisar os custos que cada banco cobra de seus clientes para intermediar a operação. Existem bancos de investimentos com CUSTO ZERO, que podem ser consultados através do próprio site do Tesouro Direto.

Após feito o cadastro, basta você comprar os seus títulos pelo site do Tesouro ou mesmo pelo site do banco ou corretora, caso eles sejam agentes integrados.

Vale lembrar que os grandes bancos não possuem interesse no fato de seus clientes aplicarem por conta própria no Tesouro Direto, pois os gerentes não ganham nada com isso em relação a meta de captação ou lucro. Dessa forma, os maiores bancos brasileiros possuem as maiores taxas de administração, como é o caso do Itaú, que cobra 1% ao ano do cliente para fazer tal aplicação.

O interesse dos grandes bancos é que seus clientes apliquem em fundos de renda fixa, que são basicamente compostos por títulos do Tesouro Direto, cobrando altas taxas de administração. Isso faz com que a aplicação do cliente quase sempre perca para a popança, após descontado o Imposto de Renda e a Inflação.

sábado, 3 de março de 2012

Qual foi o rendimento da poupança em um determinado período?


Por Daniel Aguiar

Muitos leitores sempre me questionam sobre como pode ser feito o cálculo do rendimento da poupança em um determinado período. É bem simples! Primeiramente, é necessário saber acumular taxas de forma capitalizada. Segundo, basta ter a tabela com a rentabilidade da aplicação.

A tabela de rentabilidade está disponível no link: http://www.portalbrasil.net/poupanca.htm - Tem-se disponíveis os rendimentos desde 1992.

Vamos considerar a poupança com aniversário no dia 01 de cada mês para o ano de 2011, ou seja, de janeiro de 2011 a dezembro de 2011. De posse da tabela de retorno, facilmente chegamos ao resultado usando o Excel ou uma calculadora comum.

Os retornos do período foram:



1º Passo: Transformar cada retorno em fatores. Dividimos o retorno por 100 e somamos 1:

1,006413
1,005719
1,005527
1,006218
1,005371
1,006578
1,00612
1,006235
1,007086
1,006008
1,005623
1,005648



2º Passo: Multiplicamos cada fator por eles mesmos – ISSO É ACUMULAÇÃO CAPITALIZADA DE TAXAS, em Matemática Financeira – ATENÇÃO: Jamais somar:

1,006413 x 1,005719 x 1,005527 x 1,006218 x 1,005371 x 1,006578 x 1,00612 x 1,006235 x 1,007086 x 1,006008 x 1,005623 x 1,005648 = 1,075

Do resultado, subtrai-se 1 e multiplica-se 100: (1,075-1) x 100 = 7,5% - Pronto! A poupança de aniversário do dia 01 em 2011 rendeu 7,5%. Esse foi o ganho nominal da poupança.

E o ganho real, qual foi? Basta deflacionarmos o valor.

1º Passo: Considerar a inflação do período. Utilizaremos o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) que está disponível no link: http://www.portalbrasil.net/ipca.htm.


A inflação do período foi de 6,5%.

2º Passo: deflacionar. Jamais subtraia a inflação do retorno. O cálculo é fácil. Basta encontrar os fatores do retorno e da inflação:

Fator do retorno: 1,075
Fator da Inflação: 1,065

Dividir o fator do retorno pelo fator da inflação: 1,075/1,065 = 1,00938

Do resultado, subtrai-se 1 e multiplica-se 100:

(1,00938 – 1) x 100 = 0,938% - Esse foi o ganho real para a poupança de aniversário no dia 01 para o ano de 2011. Em média, o retorno foi de 0,07783% ao mês (basta extrair a raíz 12ª do fator de retorno real).

A partir desse cálculo pode se sentir na prática o efeito da inflação.

Quem aplicou R$ 100.000,00 no período teve um rendimento nominal de R$ 7.500,00. Porém, descontada a inflação, o rendimento real foi de apenas R$ 938,00. A inflação corroeu R$ 6.562,00 do rendimento do investidor, ou seja, ele recebeu normalmente o retorno total de R$ 7.500,00, porém, com a alta dos preços, ele teve perda em seu poder aquisitivo de R$ 6.562,00.

Vale lembrar que a dinâmica do cálculo se aplica para qualquer tipo de investimento.


A teoria dos mercados eficientes e você: o papel do medo nos mercados


Leonardo Hermoso, para Dinheirama

A importância de poupar e investir é reconhecida, mas muitas pessoas ainda tem medo de investir. Isso geralmente acontece porque essas pessoas não entendem o mecanismo e o processo de investimento. E nada pior que andar em terreno desconhecido. Hoje vou falar sobre a teoria dos mercados eficientes e a influência dela sobre todos os investidores; melhor dizendo, a nossa influência sobre a teoria.

A teoria dos mercados eficientes é a “nova teoria” ou “teoria moderna”, enquanto as análises gráfica e fundamentalista são as “teorias antigas”. Basicamente, a teoria dos mercados eficientes diz que todos os agentes do mercado têm acesso às mesmas informações, ao mesmo tempo, e que o preço dos ativos reflete exatamente o nível de conhecimento, preparo, despreparo, medo e ganância de todo o mercado sobre o ativo (ou sobre o próprio mercado) e que qualquer distorção nos preços é rapidamente corrigida.

Seguindo tal lógica, seria infundado pensar em rentabilidades acima da rentabilidade do mercado em si. Em um cenário assim, o mais interessante seria procurar investimentos que nos proporcionassem rentabilidades idênticas ao do indicador em questão – no caso de renda variável, o próprio Ibovespa.

O medo faz parte do mercado e influencia seu comportamento
Mas essa teoria nos abre alguns parênteses. Primeiro, se o mercado realmente fosse eficiente, distorções nunca deveriam ocorrer. Segundo, seria ótimo aproveitar essas distorções. A variável que permite que as distorções apareçam é chamada de assimetria de informações, que existe quando dois agentes estabelecem uma transação e uma das partes envolvidas detém mais informações que a outra. Essa falha do mercado só existe por conta do comportamento humano, que é imprevisível, e este conceito gera outro evento que é conhecido como seleção adversa.

A seleção adversa ocorre quando os investidores selecionam, de maneira incorreta, ativos ou a direção do mercado. É como comprar na hora que deveria vender e vice-versa. Isso sempre é piorado pelo efeito manada, que é quando o investidor não sabe o que fazer e age movido pela vontade do todo – compra somente porque o mercado está subindo, sem entender o que realmente está fazendo ou acontecendo, por exemplo.

O medo potencializa tudo: oportunidades, lucro e prejuízo
Por outro lado, a assimetria de informações faz com que investidores mais informados consigam maximizar seu retorno sobre o seu investimento. Logo, esse evento deve ser visto como uma oportunidade a ser aproveitada e não como algo a ser temido. A ideia é simples: ao ler este texto, você está contribuindo para diminuir sua assimetria informacional; e isso é bom!

Agora imagine um banco de investimentos formado por diversos profissionais, todos com boas formações acadêmicas e muita informação disponível. Estes profissionais dedicam suas vidas exclusivamente a encontrar as distorções de preços, aproveitando os breves momentos de ineficiência do mercado e tornando-o novamente eficiente. Com certeza, eles conseguirão auferir lucro maior que a média do mercado – esses são os agentes que trazem eficiência para o mercado.

Neste momento, você deve estar pensando algo tipo “mas, o que isso tem a ver com o meu medo de investir? Na verdade, toda essa história gera mais medo”. Vamos olhar o aspecto mais óbvio do raciocínio: imagine um médico fazendo o trabalho de um engenheiro. Estaremos, com certeza, perdendo um bom médico e algumas vidas nas construções feitas por esse pseudoengenheiro.

Informação e qualificação contra o medo de investir
A mensagem que quero passar é que não devemos ter medo de investir, desde que isso seja feito de forma inteligente e com o suporte dos profissionais certos. Em primeiro lugar, devemos ir atrás de informação, para então procurar ajuda profissional para as decisões de investimentos. Assim como vamos ao médico quando estamos doentes, quando queremos investir devemos procurar uma boa assessoria.

Conhecer o mercado através de um bom profissional é muito vantajoso, pois podemos usar a experiência deste profissional para identificar nosso perfil e saber qual o melhor investimento, descobrindo, inclusive, a quantia de dinheiro que devemos alocar em cada ativo.

Não tenha medo de investir, pois, segundo a teoria que acabamos de ler, até o nosso medo está precificado valor dos ativos. É isso mesmo, o medo dos investidores pode causar (e causa) ineficiências no mercado. Portanto, procure ajuda profissional e o maior número possível de informações para identificar as oportunidades e lucrar em cima do medo e despreparo dos outros.

O Mercado obedece ao mesmo conceito da natureza: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. O dinheiro que entra como lucro em seu bolso ou saiu como prejuízo do bolso de alguém ou como uma aposta contrária à sua. Aqui, informação é transformada em lucro.


Este artigo foi escrito por Leonardo Hermoso.
Trabalha no mercado financeiro desde 2006 e, desde 2010, é sócio fundador da Tradeal Investimentos. Aficionado por tecnologia, acredita que um grande boom financeiro pode acontecer muito em breve graças às facilidades dos meios digitais. No Dinheirama, traz explicações e soluções mais práticas para o seu bolso e o seu dia a dia.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O custo da preguiça


Por Fernando Torres - Valor

A maioria das pessoas sabe que a poupança está longe de ser campeã de rentabilidade. Mas ainda assim o saldo de aplicações na caderneta soma R$ 422,4 bilhões, equivalente a mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), e cresce ano após ano.

Quando as pessoas são questionadas porque resistem a buscar alternativas de melhor remuneração, as respostas mais comuns têm a ver com comodidade, falta de tempo para se dedicar às finanças pessoais, desconhecimento técnico sobre investimentos alternativos e medo de perder dinheiro em outras aplicações.

O que pouquíssimas pessoas têm o hábito de fazer é calcular quanto dinheiro elas perdem ou deixam de ganhar por conta dessa inércia. A maioria não tem noção do custo da preguiça. Cortando poucas horas de TV, videogame ou redes sociais, certamente é possível arrumar tempo para aprender algo sobre sua vida financeira, dizem os especialistas.

Alguns vão argumentar que aprender sobre investimentos financeiros leva muito tempo, dá trabalho e é difícil. E tudo isso por uma diferença de quanto na rentabilidade? De acordo com cálculos feitos por Marcelo d'Agosto, do blog O Consultor Financeiro, se observada a média dos últimos cinco anos, a poupança rendeu 0,59% ao mês e um título público pós-fixado (Letra Financeira do Tesouro, LFT), 0,71%. As contas do consultor já consideram o ganho da LFT após custos e impostos, já que estes não incidem sobre a poupança.


A diferença de 0,12 ponto percentual realmente parece pequena, o que favorece, e muito, a preguiça. Mas as pessoas ignoram o poder dos juros sobre juros, especialmente no longo prazo.

Numa simulação considerando essa rentabilidade, alguém que aplicasse R$ 100 mil na poupança, reservados para sua aposentadoria, teria acumulado R$ 831 mil após 30 anos. Se a opção fosse pelo título público, o valor acumulado chegaria a R$ 1,277 milhão. A diferença entre as aplicações, portanto, é de R$ 445 mil.

Será que se a pessoa soubesse que ela pode perder quase meio milhão de reais por uma única decisão de investimento ela dedicaria algumas horas do dia a cuidar das suas finanças? Está certo que em valores de hoje esses quase R$ 450 mil representam R$ 35 mil. Mas ainda assim é o preço de um carro.

As pessoas realmente podem ter dificuldade para entender sozinhas como funciona o sistema do Tesouro Direto, que permite a compra de títulos públicos pela internet, a um custo reduzido.

Os nomes dos títulos públicos formam uma sopa de letrinhas para enlouquecer qualquer um. Mas cabe avaliar, por exemplo, se pagar um consultor financeiro para ajudar na aplicação pode ser um custo que valha a pena, considerando os resultados.

Uma outra opção que pode gerar economia para quem tem pouco tempo é dedicar um cuidado maior à pesquisa de fundos de investimento conservadores com taxas baixas, deixando a escolha da alocação da carteira a cargo de um gestor de recursos.

Outro momento crítico da vida em que vale a pena deixar a preguiça de lado é o de se tomar um financiamento imobiliário. Por comodidade, muitas pessoas acabam optando pelo banco com o qual mantém relacionamento há mais tempo ou pela instituição financeira que tem parceria com a construtora do imóvel.

Mas uma diferença de 1 ponto percentual na taxa de juros cobrada anualmente, por exemplo, pode mais do que compensar o trabalho de procurar um banco que lhe dê condições mais favoráveis de financiamento.

Se em vez de pagar 11% ao ano, o comprador do imóvel conseguir uma taxa de 10% num empréstimo de R$ 300 mil por 360 meses, a economia pode chegar a R$ 73 mil ao longo do contrato. Isso sem contar que a diferença a menos na parcela poderia ser investida.

Mas esses dois casos, da poupança para aposentadoria e do financiamento imobiliário, são apenas exemplos das múltiplas ocasiões em que a preguiça ou a inércia levam as pessoas a perder dinheiro. O que varia é o tamanho da fatura.

Dentro das menos "custosas", deixar uma conta corrente aberta por cinco anos em um banco que não se usa sai por R$ 600. Usar apenas o celular para fazer ligações, e ainda assim manter o pagamento mensal de assinatura de telefone fixo, representa um desperdício de "médio porte": R$ 3,6 mil ao longo dos mesmos cinco anos. Já deixar um apartamento de R$ 200 mil desocupado pelo mesmo período entra no grupo das decisões que têm custo maior. Considerando o aluguel não recebido, mais as despesas de condomínio e IPTU, a perda é de, no mínimo, R$ 90 mil.

Há ainda aqueles que renovam o seguro do carro sem comparar alternativas no mercado, e outros que pagam multas em contas por preguiça de colocá-las em débito automático.

A aparente irracionalidade de algumas dessas decisões financeiras encontram explicações no comportamento humano. Vera Rita de Mello Ferreira, autora do livro "A cabeça do investidor" e professora de psicologia econômica da Fipecafi, diz que todo ser vivo tem dois impulsos internos que vivem em conflito. Um é o de se manter vivo e outro de chegar ao fim da vida.

"De um lado, a pessoa busca estímulos, e até mesmo complicações. Quando surge um problema, ela quer resolver aquilo rapidamente. Do outro, se no meio do caminho ela perceber que tem uma alternativa para resolver a questão gastando menos energia, acaba optando por ela", afirma a especialista. "É a história de empurrar com a barriga. O ser vivo tenta adiar a movimentação", acrescenta Vera.

A professora diz também que as pessoas têm uma percepção vaga e distorcida da realidade. "Ela até sabe que tem uma aplicação com rentabilidade maior. Mas pensa: 'amanhã eu vou fazer'. E esse amanhã nunca chega."

A psicologia usa um palavrão para descrever isso. Trata-se do 'desconto hiperbólico do tempo'. "A gente tem uma crença infundada na nossa força de vontade futura. No presente dá preguiça. Essa é a sensação que a gente tem, de que tem outras prioridades. Mas é tudo ilusório", diz.

Segundo Vera, não é que as pessoas queiram entrar pelo cano. "A grande maioria quer acertar. O problema é conseguir realizar suas intenções. O 'eu frio' tem toda clareza do mundo de que é preciso fazer aquilo, aquilo e aquilo. Mas o lado 'quente', que executa, está sempre envolvido com outras coisas, mais fáceis, mais atraentes, mair urgentes."

Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais da Santander Asset Management e especialista em finanças comportamentais, diz que as pessoas têm dificuldade de mudar sua própria realidade, o que os estudiosos do tema chamam de 'viés de status quo'.

Ele conta que há pesquisas que indicam que 90% das pessoas que recebem uma herança tendem a manter as aplicações. Não importa se a pessoa que recebeu o dinheiro é muito mais nova e tem outro perfil de investidor e necessidades completamente diferentes daquela que morreu.

Isso é o que Mosca chama de custo da conveniência. Basta que uma conta tenha débito automático em determinado banco para que o cliente resista a pesquisar melhores condições em outras instituições financeiras, seja em serviços mais adequados ao seu perfil ou em custo de tarifas.

E isso não ocorre apenas no mundo financeiro. Com a assinatura de TV a cabo é a mesma coisa, lembra o especialista da Santander Asset Management. As operadoras oferecem um pacote com mais canais por um preço promocional nos primeiros meses. Aí a pessoa não liga para mudar o plano e acaba ficando com uma conta maior no trimestre seguinte.

Neste momento seguinte, explica Mosca, pesa um segundo aspecto da personalidade humana explorado pelo mundo corporativo: a aversão à perda. "Depois que a pessoa se acostuma com alguma coisa, ela não gosta de abrir mão daquilo. E as empresas que trabalham com amostra grátis e degustação trabalham com esse conceito."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os preços dos imóveis já atingiram o topo?


Exame.com
Prédios em São Paulo
Em São Paulo, valorização dos imóveis residenciais caiu de dezembro para janeiro.



Ainda é cedo para falar em desvalorização, mas parece que os preços de fato estão se acomodando. A alta valorização dos últimos quatro anos não deve permanecer, o que leva o investidor a refletir: quem tem um imóvel com o qual deseja lucrar e que tenha aproveitado a alta dos últimos tempos já pode pensar em se desfazer dele.

Quem deseja comprar a casa própria, porém, deve refletir: esperar uma desvalorização pode ser arriscado - pois não se sabe se ou quando isso deve ocorrer; por outro lado, com altas menores e sem perspectiva de novos saltos, a decisão de compra pode ser mais ponderada.

O desempenho dos imóveis residenciais, porém, varia de cidade para cidade. No Rio de Janeiro, janeiro registrou uma alta ligeiramente maior que dezembro, de 1,3% contra 1,1% no mês anterior. Já em São Paulo, a queda na valorização foi de 1,4%, contra 1,2% em dezembro. Belo Horizonte e Fortaleza registraram altas bem modestas: de 0,5% contra 0,8% em dezembro, e de 0,4% contra 0,6% em dezembro, respectivamente.

O Distrito Federal chegou a apresentar queda de 0,2% em dezembro e, em janeiro, apresentou zero de valorização. O Recife é um ponto fora da curva. Embora tenha visto uma desaceleração na valorização a partir de abril, os percentuais ainda tem sido altos em relação às demais capitais. E desde novembro, a valorização voltou a crescer. Em dezembro foi de 2,4%; em janeiro, passou para 3,4%.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O que é LCI: Letra de Crédito Imobiliário?


Valores Reais

Não é só de caderneta de poupança, CDBs, fundos referenciados DI, LFTs, LTNs, NTN-Bs, debêntures e fundos de renda fixa, dentre outros, que vive o mercado de renda fixa – “renda fixa”, aqui, entendida como o grupo de investimentos conservadores, geradores de juros, em contraposição à “renda variável”, formada, principalmente, pelas ações e fundos imobiliários. Nos últimos tempos, tem ganhado destaque no noticiário, e também entre os investidores mais conservadores, a aplicação denominada de LCI – Letra de Crédito Imobiliário. Mas que “bicho” é esse?

Definição legal – Lei nº 10.931/2004

Antes de mais nada, é preciso registrar que a LCI – Letra de Crédito Imobiliário – é um investimento enquadrado na categoria de “renda fixa”, ou seja, conservador. A Lei nº 10.931/2004 dá seus contornos jurídicos, ao estabelecer, em seu artigo 12:

“Os bancos comerciais, os bancos múltiplos com carteira de crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal, as sociedades de crédito imobiliário, as associações de poupança e empréstimo, as companhias hipotecárias e demais espécies de instituições que, para as operações a que se refere este artigo, venham a ser expressamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, poderão emitir, independentemente de tradição efetiva, Letra de Crédito Imobiliário – LCI, lastreada por créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de coisa imóvel, conferindo aos seus tomadores direito de crédito pelo valor nominal, juros e, se for o caso, atualização monetária nelas estipulados.”

Não entendeu patavinas?

Então vou traduzir o juridiquês para o português  : a LCI é um título de crédito lastreado por créditos imobiliários, garantidos esses por hipoteca ou por alienação fiduciária de coisa imóvel. É um investimento que tem lastro, fundamento, em crédito imobiliário. Esse tipo de instrumento foi concebido, dentre outros motivos, para incentivar o mercado de crédito imobiliário no País.

Hoje, sabemos que a poupança é o grande instrumento de financiamento habitacional no Brasil. Porém, como a demanda, lá em meados da década passada, não era assim tão grande, o Governo criou e incentivou vários outros instrumentos para captar recursos para o crédito imobiliário. Um deles é a LCI, tratado nesse artigo. Outro é a CRI – Certificado de Recebíveis Imobiliários – um instrumento derivativo que se destina a securitizar créditos imobiliários.

Embora a LCI possa ter seu valor atualizado por índices de preços (vide artigo 13 da Lei acima mencionada), o mais comum é ela ter seu valor atualizado pelo CDI. Ou melhor, por um percentual do CDI, que varia conforme a instituição financeira que oferece o investimento.

Grande vantagem: isenção do imposto de renda (IR) para pessoas físicas

Tá, mas então qual seria a diferença entre uma LCI e um CDB DI? Como você deve ter lido no subtítulo acima, a grande vantagem é a isenção de imposto de renda para o pequeno investidor.

Mas tal vantagem não existiria, é claro, sem uma compensação por parte do banco emissor: restrição de liquidez. Vamos falar sobre ela mais abaixo, mas é bom registrar já de antemão que as LCIs, via de regra, não podem ser resgatadas a qualquer momento, como normalmente ocorre com os CDBs. Elas têm prazos que variam de 2 meses a 3 anos, ficando a cargo do investidor definir qual é o prazo que entende ser mais conveniente, de acordo com as opções disponíveis pelo banco emissor. Mas lembre-se: um prazo menor de vencimento poderá implicar também num percentual mais baixo do CDI – aliado a outros fatores, claro, como volume de investimento.

Ademais, assim como se verifica com os CDBs, as LCIs também contam com a proteção legal do FGC, até o limite máximo de R$ 70 mil, o que lhe confere uma atratividade extra, principalmente quando se pensa em aplicar em instituições de médio e pequeno porte, cujos riscos, evidentemente, são maiores.

Aplicação mínima

Taí uma desvantagem das LCIs, e das grandes: a aplicação mínima costuma ser bastante alta. Normalmente, começa em R$ 30 mil, sendo que boa parte das instituições – CEF inclusa – só aceita valores a partir de R$ 50 mil.

Percentual do CDI

Aqui é que vem o grande diferencial das LCIs: como o rendimento é isento do imposto de renda, elas acabam ganhando um CDI líquido, diferentemente do que ocorre com os CDBs, em que, do rendimento bruto do CDI, ainda deve ser descontada a alíquota do IR, de acordo com a tabela regressiva (que começa em 22,5% sobre os rendimentos). Dessa forma, uma LCI que pague 83,50% do CDI líquido (valor que a Caixa paga, para aplicação entre R$ 50 e R$ 100 mil) corresponderia a um CDB DI de 107,74%, considerando o prazo de aplicação de até 6 meses. Isto é, para que um CDB DI compensasse o investimento numa LCI, seria necessário que esse mesmo CDB pagasse 107,74% do CDI. A tabela abaixo mostra esses números com mais precisão:


A equivalência com o CDB DI vai diminuindo com o decorrer do tempo porque a alíquota do IR também vai diminuindo com o tempo.

Bancos que trabalham com LCIs

Atualmente, conheço 4 bancos que trabalham com a LCI – se alguém souber de mais algum, favor postar na caixa de comentários, para que eu possa ir atualizando esse artigo – considerem essa parte do artigo uma espécie de “dando nome aos bois” bônus….rsrsrs

A Caixa Econômica Federal é uma delas. O investimento mínimo é a partir de R$ 50 mil. Um detalhe interessante é que, após a carência inicial de 2 meses (em que o dinheiro não pode ser movimentado), a LCI ganha liquidez diária (se assim for de preferência do investidor), podendo ser resgatada, desde que se respeite um resgate mínimo de R$ 5 mil. Em conversa com um funcionário da Caixa, fiquei sabendo da necessidade de ser correntista para investir no produto (ponto negativo). Por outro lado, dado o volume de investimento, é possível ficar isento da cesta de serviços mensal, que custa R$ 22 (detalhe: essa cesta não dá direito a nenhum TED/DOC gratuito por mês).

O Itaú, no segmento Personnalité, também conta com o produto em seu portfólio de investimentos. A taxa líquida de CDI começa em 83%, para aplicação mínima de R$ 50 mil, sem possibilidade de liquidez ou resgate antecipado (ou seja, o papel tem que ser carregado até a data de vencimento). É preciso ser correntista do banco para ter acesso ao serviço.

A Brazilian Mortgages é outra instituição que trabalha com LCIs, sendo o investimento mínimo a partir de R$ 30 mil, com prazos que variam de 2 meses a 3 anos. Não há liquidez diária após 2 meses, ou seja, o investimento deve ser mantido até a data de vencimento. Por outro lado, não é preciso ser correntista do banco para fazer o investimento.

O Banco BVA é outra instituição que também conta com o produto em seu portfólio de investimentos. Não há liquidez diária, a aplicação mínima é de R$ 30 mil, o percentual do CDI líquido é um pouco melhor do que o da BM (98%), porém, é preciso ser correntista do banco, e pagar, portanto, uma cesta mensal de tarifas de R$ 50.

Conclusão

Tal como qualquer outro investimento no mercado financeiro, as letras de crédito imobiliário – LCIs – apresentam vantagens e desvantagens. Como vantagens, destaco a isenção de imposto de renda, o baixo risco, a proteção de até R$ 70 mil do FGC, e a remuneração atrelada a um índice (CDI ou índice de preços). Como desvantagens, destaco a restrição de liquidez (exceto para as LCIs da CEF, as quais, mesmo assim, devem observar uma carência mínima de 2 meses), a necessidade de ser correntista de banco, salvo uma ou outra exceção, o alto valor mínimo inicial e o fato de que, com esse investimento, você nunca estará conseguindo ganhar do CDI (a menos que consiga uma taxa acima de 100% do CDI). Para quem busca diversificar sua carteira pretendendo obter ganhos superiores aos do CDI, mesmo aplicando só na renda fixa, encontrará nos títulos do Tesouro Direto, por exemplo, uma ótima opção (à exceção, é claro, da própria LFT) – lembrando sempre que é possível também ter rendimentos inferiores aos do CDI, mesmo na renda fixa.

Apesar de seu baixo risco, a LCI não é recomendada para formação do colchão de segurança, dada sua restrição de liquidez – nesse caso, um CDB DI seria mais indicado (exceção feita no caso da LCI da CEF, para aqueles que assim optarem, mas lembre-se também de que o resgate mínimo é de R$ 5mil). Por conta também da falta de liquidez, a LCI não é indicada para pessoas que necessitem de recursos no curto prazo, ou para aproveitar oportunidades que apareçam de uma hora para outra. Por outro lado, para quem busca ganhos isentos de imposto de renda, na renda fixa, e tem paciência e disciplina para não mexer nos recursos no curto prazo, é uma alternativa adicional e interessante de investimentos conservadores, e, portanto, de diversificação de sua carteira de ativos financeiros.

É importante também atentar para a qualidade do lastro, bem como na idoneidade e credibilidade da instituição financeira que está negociando o produto, para não ter a surpresa desagradável de aplicar um valor significativo, e “ficar a ver navios”, ou seja, o valor do investimento não retornar à sua conta (o popular “levar calote”, caso a aplicação seja superior ao teto do FGC). Lembre-se, igualmente, sempre de avaliar a relação risco/retorno de seus investimentos, só aceitando assumir riscos que possam se pagar, dado o seu grau pessoal de tolerância a riscos. Por fim, por se tratar de um investimento indexado que segue um índice, se você pretende ganhar do índice, é preciso diversificar sua carteira com outros ativos que possam lhe dar esse objetivo, como os títulos do Tesouro Direto, atrelados à inflação e/ou prefixados (mas com possibilidades de ficar abaixo do CDI também).

O que é FGC: Fundo Garantidor de Créditos?


Valores Reais

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma espécie de “seguro” para determinados investimentos em renda fixa. Na verdade, esse fundo não é um “produto”, mas sim uma:

“Entidade privada, sem fins lucrativos, que administra o mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores, contra instituições financeiras em caso de intervenção, liquidação ou falência”.

Praticamente todas as instituições financeiras que operam no Brasil, tais como bancos comerciais, sociedades de crédito, bancos múltiplos etc., são associadas ao FGC. A lista completa de associadas pode ser conferida nesse link aqui.

Principais investimentos protegidos pelo FGC: poupança, CDBs e LCIs

Bom, vamos à parte prática: quais tipos de investimentos são garantidos pelo FGC?

“A Resolução 3.400, de 6 de setembro de 2006 determina que são objeto da garantia proporcionada pelo FGC os seguintes créditos:

* depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;

* depósitos em contas-correntes de depósito para investimento;

* depósitos de poupança;

* depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado;

* depósitos mantidos em contas não movimentaveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes a prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;

* letras de câmbio;

* letras imobiliárias;

* letras hipotecárias;

* letras de crédito imobiliário.


Não são cobertos pela garantia:

* os depósitos, empréstimos ou quaisquer outros recursos captados ou levantados no exterior;

* as operações relacionadas a programas de interesse governamental instituídos por lei;

* os depósitos judiciais;

* os depósitos a prazo autorizados a compor o nível II do Patrimônio de Referência, de que trata a Resolução 2.837, de 30 de maio de 2001″.

De todos os créditos acima listados, os mais destacados são a poupança, os CDBs (depósitos a prazo), e as letras de crédito imobiliário (em breve uma matéria a respeito das LCIs).

Vale lembrar, dentro desse contexto, que os fundos de investimento não contam com a proteção do FGC:

“Os Fundos de Investimentos Financeiros são entidades constituídas sob a forma de condomínios abertos. É uma comunhão de recursos arrecadados de clientes para aplicação em carteira diversificada de ativos financeiros, cujos regulamentos são registrados em cartórios de títulos e documentos. Geralmente são administrados por uma instituição financeira e estão sujeitos a supervisão e acompanhamento do Banco Central do Brasil ou da CVM – Comissão de Valores Mobiliários, dependendo de sua natureza.

A pessoa jurídica de um Banco não se confunde com a dos Fundos de Investimentos. Quando um banco sofre intervenção ou liquidação extrajudicial, a garantia para os cotistas desses Fundos consiste na própria carteira de ativos financeiros, que seguem normas específicas de administração que objetivam garantir segurança e transparência, de forma que o cliente pondere fatores, tais como: rentabilidade e risco quando da sua decisão de aplicar em um fundo de investimento financeiro”.

Logo, se você tomar a decisão de aplicar seu dinheiro num banco de pequeno porte, e estiver em dúvida entre um fundo de investimento, e um CDB, escolha, como um critério de desempate, a proteção legal do FGC, o que te leva a optar pelo CDB, dada essa garantia legal.

Valor máximo protegido: R$ 70 mil

É de R$ 70 mil:

“O valor máximo, por instituição, é de R$ 70.000,00 (setenta mil reais) por depositante ou aplicador, independentemente do valor total e da distribuição em diferentes formas de depósito e aplicação”.

Para mais informações sobre essa questão dos limites de cobertura, incluindo dúvidas referentes a contas-conjuntas (entre marido e esposa, p.ex.), favor consultar essa outra página do FGC.

Como funciona, na prática, o recebimento do crédito?

Caso você dê o azar de ter tenha aplicações em instituições que entrem em regime especial de administração, é preciso seguir determinados procedimentos, os quais também são descritos na página do FGC. Felizmente, não há o pagamento de tarifas bancárias pela prestação do serviço, e o crédito é recebido nas agências que se situarem mais próximas das ex-agências do Banco Liquidando, para facilitar o acesso aos beneficiários.

É interessante observar que o intervalo entre a decretação do regime especial e a data de início dos pagamentos de crédito tem, em média, ocorrido em prazos entre 1 e 2 meses, conforme podemos ver nessa outra página do FGC. A quantidade de clientes indenizados, em % de clientes de até R$ 20 mil sobre o total, temvariado bastante entre as instituições: variando de 100% (caso de ex-clientes do Banco Dracma) a até 33% (caso do Banco Interpart). No famigerado caso do Banco Santos, esse número não se encontra disponível, pois há situações em fase de conciliação, porém, é possível perceber que foram 1.194 clientes garantidos até o limite de R$ 20 mil (que devia ser o antigo limite máximo garantido).

Conclusão

A relação risco/retorno também se aplica aos investimentos em renda fixa. Geralmente, instituições financeiras, como bancos, de pequeno e médio porte, oferecem taxas de investimentos em CDBs e LCIs, p.ex., mais altas do que as verificadas em bancos de grande porte. É comum encontrarmos bancos de 2ª linha oferecendo esses investimentos com taxas de até 100% do CDI, ou mais. Eles fazem isso justamente para atrair investidores e captar recursos, uma vez que, se oferecessem taxas menos atraentes (p.ex., 85% do CDI para um CDB pós-fixado), certamente não conseguiriam atrair clientes para sua base de investidores.

Porém, existe um risco maior, que é justamente o de o banco não honrar os compromissos, e não devolver o capital acrescido dos juros pactuados.

O FGC entra nessa história para mitigar os riscos, e conferir uma proteção legal ao pequeno investidor, limitada, porém, ao valor, atual, de R$ 70 mil.

Como eu sempre gosto de dizer, em matéria de investimentos, não ponha todos os seus ovos na mesma cesta. Diversifique. A proteção do FGC pode funcionar como um critério de “desempate” na escolha de uma dentre duas ou mais alternativas de investimentos que se mostrem equivalentes. Seja cauteloso em suas aplicações financeiras, e procure se informar acerca de seus direitos como investidor. Esse continua sendo o melhor caminho para a tomada de decisões conscientes.



domingo, 8 de janeiro de 2012

Ganho real da poupança em 2011 foi de 0,94%, aponta Economatica

Do G1, São Paulo

O ganho nominal da poupança no ano de 2011 foi de 7,5%. Descontada a inflação medida pelo IPCA (6,5% no ano), o ganho real da aplicação na poupança foi de 0,94% - mesmo retorno registrado em 2010. Segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (6) pela consultoria Economática, foi o quarto pior desempenho anual desde 1994, ano do início do Plano Real.

No ano de 2010, segundo a Economatica, o ganho real da poupança também foi de 0,94%, porém o retorno nominal foi de 6,9% contra um IPCA de 5,91%.

De acordo com o levantamento, o pior desempenho real da poupança ocorreu no ano de 2002, quando o investidor teve retorno negativo de 2,9%. O segundo pior desempenho aconteceu em 2004, com ganho real de 0,46%, seguido pelo ano de 2001, quando o retorno, descontada a inflação, foi de 0,89%.

O ganho real significa quanto o poder aquisitivo do investidor aumentou em um determinado período. Por exemplo, se no início de 2011 um investidor optou por aplicar R$ 1.000 na poupança no lugar de comprar um produto que custava exatos R$ 1.000, caso esse produto tenha sido ajustado no final do ano passado pelo índice IPCA, o consumidor que deixou para comprar o produto depois de 12 meses, teve um ganho de R$ 10, correspondente à diferença do retorno da aplicação mais o rendimento no ano (R$ 1.075) e do valor do produto corrigido pela inflação (R$ 1.065).

domingo, 25 de dezembro de 2011

Como funciona a Poupança no Brasil


Por Daniel Aguiar

Alguns leitores têm me questionado bastante sobre as regras e funcionamento da Poupança no Brasil. Dessa forma, resolvi redigir as informações abaixo para esclarecer algumas dúvidas.

A princípio, é importante salientar que toda aplicação financeira está sujeita a algum tipo de risco. Para minimizar os riscos, é importante que o investidor procure conhecer a fundo quais são as variáveis econômicas, políticas, mercadológicas, etc. que podem influenciar no produto de investimento.

Os bancos comerciais mais tradicionais no Brasil oferecem a conta poupança, e conforme normas do Banco Central do Brasil (BC) os bancos não podem cobrar taxas de manutenção dessa conta. A poupança é a aplicação mais comum dos brasileiros por ser uma conta de fácil acesso e de fácil manuseio, porém, existem aplicações ainda melhores, de acordo com o perfil de cada investidor.

Um dos pontos negativos da poupança é que aplicações com prazo inferior a um mês não recebem nenhum tipo de remuneração, ou seja, não há remuneração proporcional aos dias aplicados. Se o investidor aplicar qualquer valor pelo prazo de 29 dias, ele não receberá nenhuma remuneração. Se a aplicação for de 1 mês e 29 dias, ele receberá a remuneração de apenas 1 mês.

Os valores aplicados na conta poupança são remunerados pela Taxa Referencial (TR) mais um adicional de 0,5% ao mês (percentual sempre certo). Isso vale para todo e qualquer banco no país. Ou seja, a poupança do “Banco A” não remunera mais do que a poupança do “Banco B” – nesse quesito os bancos são todos iguais.

A TR é calculada diariamente. Para se ter um exemplo prático, a TR do dia 22/12/2011 foi de 0,0932%. Dessa forma, os depósitos em poupança que foram remunerados no dia 22/12/2011 obtiveram o seguinte retorno: 0,0932 + 0,5 = 0,5932%. Quem tinha R$ 10.000,00 aplicados e remunerados nesse dia recebeu em sua conta o valor de R$ 59,32. Para ter acesso à tabela atualizada da TR, o poupador pode consultar o link: http://www.portalbrasil.net/tr_diaria.htm .

INTERESSANTE: Como a TR é SEMPRE variável e a poupança tem todo mês garantidos os 0,5% de juros, para se fazer um cálculo rápido de quanto um depósito terá de rentabilidade mínima no mês, basta dividir o valor da aplicação por 200 – por exemplo: R$ 1.000.000,00 depositados na conta poupança renderão, NO MÍNIMO, R$ 5.000,00 por mês (1.000.000,00 ÷ 200). Fazendo esse cálculo, numa situação em que a TR for igual a zero, como ocorreu em 10/02/2011, o investidor receberá no pelo menos os R$ 5.000,00 no mês.

Um dos benefícios da conta poupança é que, POR ENQUANTO, ela é ISENTA de Imposto de Renda (IR), mas já há propostas do governo em taxá-la. Outro benefício é a liquidez, pois o aplicador pode sacar os recursos depositados na poupança a qualquer momento que desejar.

Quanto à segurança das aplicações da conta poupança, todas elas são garantidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até a quantia de R$ 70.000,00 por banco / por CPF. Ou seja, se o investidor possuir R$ 700.000,00 aplicados em 10 bancos diferentes, distribuídos R$ 70.000,00 em cada banco, ele possuirá a garantia total dos seus R$ 700.000,00. Mas caso ele tenha aplicado esse montante no “Banco A” e esse banco venha a falir, ele receberá apenas R$ 70.000,00 do FGC, ficando no prejuízo de R$ 630.000,00. Essa regra somente não se aplica à poupança da Caixa Econômica Federal (CEF), que tem 100% de garantia pelo Governo Federal. Dessa forma, pode-se dizer que a poupança da CEF é a mais segura do Brasil.

Mas se a poupança remunera apenas após um mês de aplicação, o poupador pode realizar depósitos nos dias 29, 30 e 31? Sim, normalmente! Porém, o investidor somente receberá seus rendimentos no dia 1º após o aniversário da poupança, que será a base do cálculo do rendimento.

Caso o depósito na poupança seja feito em cheque, mesmo que ele leve 2 dias ou mais para compensar na conta do cliente, a aniversário considerado será o dia do depósito do cheque, e não o dia da compensação do mesmo.

As informações mais importantes e esclarecedoras sobre a poupança são essas acima. Porém, é sempre importante o investidor buscar conhecer melhor os produtos de investimentos disponíveis no mercado financeiro, principalmente aqueles que remuneram o capital aplicado diariamente e ainda possuem retornos melhores do que a poupança.

Mas com certeza existem opções melhores do que a poupança, que abordarei nesse blog.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sobre a Mega-Sena da Virada e a "pseudo-humildade"


Por Daniel Aguiar

Mais um evento da Mega-Sena da Virada se aproxima e, não obstante, os comentários, desejos e expectativas dos apostadores são sempre os mesmos todos os anos. Um dos maiores sonhos de todos os brasileiros é, sem dúvida, acertar as seis dezenas sorteadas e rechear sua (s) conta (s) bancária (s) com alguns milhões de reais.

Em primeiro lugar, por questão conceitual, deve-se entender por loteria um grande consórcio financeiro (que nem todos são contemplados) em que vários apostadores apostam pouco (R$ 2,00 no caso da Mega-Sena brasileira) e correm o risco de mudar para sempre suas vidas. Mas como nem tudo é tão fácil, vale destacar que a probabilidade de acerto nessa loteria é de 1 chance em 50.063.860 para quem aposta 06 dezenas. Ou seja, em termos percentuais, isso equivale à chance aproximada de 0,000001997%!!! Daí percebe-se a grande dificuldade de se acertar o jogo.

É importante considerar que você pode perder facilmente a totalidade do capital colocado (R$ 2,00), afinal, quantos premiados pela Mega-Sena você conhece? Por esse motivo, interessante é entender que você está apostando em um jogo que paga um prêmio excessivamente grande se comparado ao nível de renda dos brasileiros. 

A estimativa da Caixa Econômica Federal para a Mega da Virada desse ano é que o prêmio atinja R$ 170.000.000,00, número que eu particularmente acredito que será superado em aproximadamente 20%. Essa quantia, se aplicada na poupança, que é a aplicação mais tradicional no país mas que remunera muito pouco, renderá ao apostador no mínimo R$ 850.000,00 por mês (basta dividir o valor aplicado por 200 para saber o mínimo pago pela poupança).

Sou estudioso de loterias e um fato bastante interessante que percebo nas pessoas é que elas são falsas com elas próprias ao fazer apostas! Em filas de loterias o que mais se ouve são as pessoas dizendo: “...R$ 100.000,00 para mim já é o suficiente...”, “...nem precisava disso tudo...”. Ora, o apostador está apostando em um jogo que pagará R$ 170.000.000,00 e quer ganhar apenas R$ 100.000,00. Logicamente, falam isso na crença de que haverá um “ato divino” que notará sua ‘suposta humildade’ e concederá a ele toda essa bolada sozinho. O apostador que pretende receber R$ 100.000,00 em uma loteria que está pagando R$ 170.000.000,00 deve ganhar com mais 1699 apostadores o prêmio principal – fato que nunca na história das loterias mundiais ocorreu. Ademais, se se pretende ganhar apenas R$ 100.000,00, existem loterias mais fáceis que pagam essa faixa, como por exemplo, a Lotofácil. Quem aposta na Lotofácil gasta 37,5% a menos do que o apostador da Mega-Sena e tem 15 vezes mais de chance de levar o prêmio principal, que pela facilidade, chega muito próximo aos pretendidos R$ 100.000,00.

Portanto, não se iluda que se passando por simples e humilde haverá ato divino a seu favor porque ganhar essa loteria é sonho de milhares, mas os dados mostram que na história da Mega-Sena o número máximo de ganhadores que dividiram o prêmio de um mesmo concurso foi 15 em 14/01/2004. Mesmo assim se ainda quiser ganhar R$ 100.000,00 no prêmio principal da Mega-Sena, jogue SEMPRE apenas as dezenas 01, 02, 03, 04, 05 e 06 e torça para elas serem extraídas, pois dessa forma você poderá até levar menos, já que não precisa de tanto dinheiro...